Sedãs Automáticos
Eles são os mais
vendidos e não cobram em prazer ao dirigir o
conforto que proporcionam. Dentre os quatro,
qual o melhor?
Por Paulo Campo Grande
/ fotos Marco de Bari
Se eu fosse um
consultor de marketing, sugeriria às fábricas
que instituíssem o sistema de degustação para
incrementar as vendas de carros automáticos. Nos
grandes centros, onde congestionamentos são
constantes, bastaria deixar o carro por uma
semana para o cliente experimentar - e criar
dependência. Duvido que, na próxima compra, ele
não cogitasse adquirir um carro equipado com a
lei do menor esforço. Com a evolução da
eletrônica, os automáticos estão ficando cada
vez mais interessantes. Eles já não obrigam o
motorista a trocar comodidade pelo prazer de
dirigir, como acontecia antigamente. Neste
comparativo, qualquer um dos sedãs poderia ser
dirigido de modo esportivo, sem frustrar o
motorista. Não é à toa que cresce a cada dia o
número de fãs desse tipo de transmissão. Embora
sejam mais caros que os manuais, a tendência é
de que eles fiquem mais acessíveis e dominem o
mercado. Se a previsão se confirmar, câmbios
manuais equiparão apenas modelos esportivos.
Para este teste optamos pelas versões
intermediárias de cada linha. No caso do Civic,
escolhemos o LXL 1.7 16V e, do Corolla, o XEi
1.8 16V. Como nos Astra e Focus as versões se
diferenciam por meio de pacotes de equipamentos,
ficamos com as versões mais simples entre as que
incluíam a transmissão automática, as quais se
situam na média das gamas. Com vocês, os sedãs
automáticos mais desejados do mercado. Confira
como dada um deles se saiu.
1º TOYOTA COROLLA
O conjunto motor/câmbio do Corolla é o mais
ruidoso do comparativo. E parece inacreditável
que o CD player seja equipamento de série: o
aparelho destoa do painel e parece uma
adaptação. Mas nossas queixas param por aqui. O
Corolla superou todos os concorrentes na pista
de testes e, além de andar bem, foi o mais
econômico. Ele acelerou de 0 a 100 km/h em 11,6
segundos e retomou de 40 a 80 km/h em 4,8
segundos. No teste de velocidade máxima só
perdeu para o Astra: 186,2 km/h contra 190,5
km/h. E, no de consumo, terminou com as médias
de 9,8 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada. A
força que faltou ao motor do Civic para extrair
todo o potencial do câmbio automático veio na
hora certa no Corolla. Seu motor 1.8 16V VVT-i,
com comando de válvulas variável, é um bom
exemplo de eficiência. Apesar do menor
deslocamento, bateu o Focus e o Astra, ambos
equipados com motor 2.0, em potência e torque
máximo.
Afora o desempenho, o Corolla também é superior
no conforto. Sem comprometer a estabilidade, ele
demonstrou ter o rodar mais macio entre os
concorrentes. E é dono de uma direção leve,
embora precisa em qualquer situação. Entre os
equipamentos de série, o Corolla XEi vem com
ar-condicionado, duplo airbag, banco do
motorista e coluna de direção com regulagem de
altura, trio elétrico e travas automáticas das
portas. Contam a seu favor, ainda, os baixos
custos de manutenção e de seguro e a garantia de
três anos sem limite de quilometragem. O Corolla
é apresentado em três versões automáticas. Além
da XEi, há a SE-G, top de linha, com a mesma
motorização 1.8 16V, e a XLi, básica, equipada
com motor 1.6 16V de 110 cavalos. A SE-G sai por
57728 reais
2º FORD FOCUS
Com um retrospecto
positivo nos testes de QUATRO RODAS, o Focus
continua arrancando elogios do pessoal da
redação, apesar de ser o modelo mais antigo
deste comparativo. O Focus foi lançado no final
do ano 2000 e, de lá para cá, não passou por
nenhuma reestilização, embora seu estilo
continue atual. Para 2004, o Focus vai mudar,
mas não espere transformações muito radicais.
Apesar de o painel extravagante já dar sinais de
cansaço, o conjunto do carro agrada.
A versão avaliada foi a 2.0 GLX, vendida por
48510 reais, tendo o câmbio automático dentro do
pacote de equipamentos que atende pelo código
B166. Esse Focus é o modelo mais caro do
comparativo, mas na versão top de linha Ghia seu
preço chega a 58780 reais. A versão GLX
apresenta acabamento bem cuidado e feito com
materiais que aparentam ter boa qualidade. O
motorista usufrui do banco regulável em altura e
da coluna de direção com ajuste de altura e
profundidade. Na segunda fileira, os passageiros
também desfrutam de conforto. O assento traseiro
fica em posição mais elevada e garante boa visão
à frente. O bom espaço para as pernas está na
média dos outros sedãs, todos com distância
entre - eixos próxima de 2,60 metros. Entre os
equipamentos de série, o Focus conta com
ar-condicionado, CD player, duplo airbag e rodas
de liga leve, entre outros.
Na pista, o Focus só perdeu para o Corolla,
superando o Astra e o Civic, nas provas de
aceleração e retomadas. Nas medições de consumo,
o Astra foi ligeiramente melhor. Nas ruas, o
Focus confirmou a fama de carro confortável e
gostoso de dirigir. Seu câmbio foi o sistema que
apresentou as trocas mais suaves e silenciosas
do comparativo
3º GM ASTRA
Na linha Astra Sedan existem cinco pacotes de
equipamentos que incluem a transmissão
automática. Desde o básico, identificado pelo
código R8M, que foi escolhido para o
comparativo, até o top R8S. O preço do modelo
pode variar de 45676 reais a 53516 reais. O
pacote mais simples já é bem completo. Dispõe de
ar-condicionado, banco do motorista com ajuste
de altura, direção eletro-hidráulica, piloto
automático, rodas de liga leve e pedais
desarmáveis em caso de colisão. Mas, em relação
aos rivais, o Astra ainda fica devendo os
airbags e o CD player, itens importantes que são
oferecidos apenas nos pacotes superiores, mais
caros.
O câmbio do Astra é o que oferece mais recursos,
em comparação aos demais modelos deste teste.
Além de ter a função adaptativa, por meio da
qual o módulo eletrônico se ajusta ao estilo de
condução do motorista, o sistema conta com a
opção do modo esportivo e o controle de tração.
No modo esportivo, as trocas são realizadas em
uma rotação mais elevada, com as marchas sendo
mais esticadas. E o controle de tração ou "modo
antipatinação", como é chamado pela GM,
seleciona automaticamente a terceira marcha para
evitar o giro em falso das rodas em terrenos de
baixa aderência. Esse recurso foi desenvolvido
para os países frios, onde as pistas ficam
congeladas. Por aqui, talvez seja útil em
algumas situações na lama. Nesse caso, o manual
do proprietário adverte que, com o uso desse
recurso, as acelerações deverão ser suaves, para
não danificar o sistema.
Apesar de mais sofisticado em relação aos
rivais, a curta alavanca de câmbio do Astra
exige esforço para ser movimentada.
Segundo o especialista Jakson Queiroz de Matos,
dono da oficina JK, de São Paulo, com 15 anos de
experiência em sistemas automáticos,
a razão estaria nos longos cabos do sistema, que
demandam mais força para ser movimentados que
nos outros sedãs.
Na pista, o Astra superou apenas o Civic, nas
provas de desempenho. Nas medições de consumo,
melhorou, mas somente nas médias rodoviárias.
4º HONDA CIVIC
Apresentado em três versões automáticas - LX,
LXL e EX -, o Civic pode custar entre 43945
reais e 54080 reais, dependendo da versão. Por
46640 reais compra-se a LXL, que conta com a
motorização da mais simples e equipamentos da
mais luxuosa EX. Assim, seus pontos fortes estão
relacionados aos recursos a bordo e ao
acabamento. Além de ar-condicionado, duplo
airbag e CD player, que equipam o Civic básico,
o LXL traz rodas de liga leve e bancos de couro
como itens de série. A cabine deste sedã é um
lugar confortável. O motorista encontra a melhor
posição de dirigir com facilidade e desfruta de
uma ótima visibilidade, benefício que se deve ao
desenho do painel de contornos suaves e em
posição rebaixada. O câmbio, que foi o centro
das atenções neste comparativo, se mostrou fácil
de manusear e bem posicionado, em relação ao
volante.
Para quem viaja no banco de trás há um bom
espaço favorecido pelo piso plano. Os
projetistas japoneses desviaram os canos do
escapamento para as laterais da carroceria,
evitando a tradicional saliência no centro da
cabine. Mas o banco traseiro não é dos mais
confortáveis. Os dos rivais, Astra, Corolla e
Focus, apóiam melhor o corpo dos passageiros.
No que diz respeito ao motor, enquanto o Civic
EX é equipado com o 1.7 16V de 130 cavalos, o
LXL possui um 1.7 16V de 115 cavalos. O primeiro
é uma versão VTEC, com comando de válvulas
variável, e o segundo, um motor convencional,
com comando de válvulas simples. Em relação aos
rivais do comparativo, o Civic LXL é o que tem o
motor mais fraco. O motor do Astra - o segundo
mais fraco - rende 116 cavalos, apenas 1 a mais.
Mas, em compensação, entrega maior quantidade de
torque mais cedo. Enquanto o do Civic gera 15,2
kgfm a 4500 rpm, o do Astra consegue 17,3 kgfm a
2400 rpm. Aliás, justiça seja feita, o Astra é o
mais generoso em matéria de torque. Ele é
superado pelo motor do Focus, com 18,2 kfgm, mas
no Ford essa força só chega nas 4500 rpm. Nessa
correlação de forças, o Civic leva a pior. Ele
foi o mais lento nas acelerações e retomadas,
com um consumo de combustível próximo da média
dos concorrentes. Esse desempenho ruim deve cair
na conta do motor. O câmbio demonstrou ser capaz
de cumprir bem seu papel, com engates rápidos e
sem trancos. Mas, se o motor não empurra, o
câmbio não faz milagres.